(Sonekka - Gilvandro Filho)
Eu sou o exemplo pronto e acabado
De que não sou exemplo pra ninguém
Que, vivo ou morto, ando lado a lado
Com as minhas dúvidas. Quem não as têm?
Eu sou o resto que será começo
Se a noite chega pro dia nascer
Sou a lembrança de tudo o que esqueço
Eu sou o cego que insiste em ver
E sou a figurinha carimbada
Do velho album que não preenchi
O velho tênis e a meia furada
Que nem calcei, mas saí por aí
Eu sou o velho que de tão menino
Brinca de pega na porta do asilo
Eu, de tão grande, sou tão pequenino
Braço direito que em vão mutilo
O seresteiro que não toca nada
O cantador que chega e desafina
Aventureiro perdido na estrada
O instrumento que grita em surdina
O passarinho que devora o gato
A tempestade que serve de guia
Mar que desagua no mesmo regato
Dor que, de tão grande, beira a euforia
quarta-feira, 19 de maio de 2010
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