(Sonekka - Gilvandro Filho)
Toda tarde de domingo
Lá era tarde de gala
No teatro dos Aflitos
Os deuses faziam sala
No campo, a flor e a semente
Quem viu não tira da mente
Nado, Bita, Nino e Lala
Nado, a pura magia
Não há quem dele se esqueça
Lala, o drible, o chute, a raça
Raio que passa depressa
Contando nem se acredita
O homem do rifle é Bita
Nino, o gol de cabeça
Faltavam poucos minutos
E o placar denunciava
3x1, o rival vencia
Mas, ninguém desanimava
E o sonho faz-se a vitória
E o futebol faz história
História que a alma lava
Primeiro é o gol de Bita
Chute seco e sem defesa
Lala empurra para as redes
Lance de rara beleza
A torcida que ia embora
Canta, vibra e comemora
Já é a mais pura certeza
E numa jogada brilhante
Eis que cumpre-se o destino
Cruzamento sobre a área
Obra prima do divino
Que o manto da vida tece
E o milagre acontece:
Gol de cabeça de Nino!
O tempo passou e nada
Fez arrefecer o brilho
A vida seguiu seu rumo
O bonde seguiu seu trilho
Eternas, as alegrias
E as coisas daqueles dias
Passaram de pai pra filho
Bita que partiu primeiro
No céu foi dar bicicleta
Nado e Lala, ainda vivem
Pra emoção desse poeta
Que cresce e vira menino
Dá no rádio: morreu Nino
Tristeza rara e completa
Os deuses sabem o que fazem
Não dão a todos a glória
Guardam lugares cativos
No palco azul da memória
Sempre cumpre-se a mandala
Nado, Bita, Nino e Lala
A eles coube a História
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário